quarta-feira, 16 de novembro de 2011

CRIANÇA:TUDO POR ELA, COM ELA E PARA ELA.

 Isias Bruno um critico ao governo falando da UPP Babilonia....


O que os noticiários transmitiram no dia das crianças, em relação às festividades comemorativas do dia das crianças no Morro da Babilônia, vieram somatizar uma certeza já estabelecida incontestavelmente no coração de muitos pais da comunidade. Foi um dia de muita alegria para toda a comunidade, com direito a presentes, lanche, almoço, futebol e muito pagode. Foi tudo de bom. Mesmo sendo críticos inveterados no o assunto segurança pública, os moradores das comunidades de Chapéu Mangueira e Babilônia não devem negligenciar e admitir que a partir da inauguração da UPP, muitas coisas boas começaram a acontecer. Uma delas pode ser encarada como fator determinante diante da dualidade em afirmar se melhorou ou piorou a vida dos moradores do local. Entre as castas etárias, comerciais e grupos sociais da comunidade, todos tem bônus e onus desde a implantação. Com exceção de um público apenas: O público infantil.  As crianças foram as únicas com ganho significativo após a mudança.
Houve um aumento do fluxo de criança nas ruas da comunidade. Agora é comum filhos e filhas irem uns na casa dos outros. Os amiguinhos combinam na casa de quem vai ?rolar? o vídeo game e o bate-papo. A escolinha de futebol, jiu-jitsu, ensaios da igreja e também nas lans houses da vida, tornam-se pontos de encontro da molecada. Toda essa movimentação acaba criando uma forte rede de interação, importantíssima para o trabalho de conscientização da turma.
Se está sendo bom para as crianças, está sendo bom para todos As instituições também percebem a oportunidade e usufruem desse benefício pondo em ritmo acelerado toda sua programação. Há mais fluidez na freqüência do público infanto-juvenil nas escolas, centros comunitários, associações as igrejas do local. Com isso a comunicação melhora evoluindo para uma rede de informações. As agendas das instituições do local já ganham uma configuração mais definitiva. Atualmente temos alta freqüência em todos os cursos, cultos religiosos, festividades e nos esportes.  

Não podemos negar ser um legado incontestável e indispensável numa comunidade aonde a criança vem primeiro lugar. Se a criança é o futuro da humanidade o futuro de Babilônia e Chapéu Mangueira, na configuração atual, está garantido.

Por: Isaias Bruno Consultor e comentarista comunitário

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

PRIMEIRA REUNÃO DO CONSELHO ESTADUAL DE DIREITOS HUMANOS

Primeira reunião do conselho estadual direitos humano, Durante essa reunião, vamos discutir o regimento interno do Conselho e definir as regras para eleição do Presidente e Vice-Presidente, que por sua vez deve acontecer com a brevidade possível, após a primeira reunião. Vamos também falar sobre a estrutura física e administrativa do Conselho e tentar já discutir a criação de grupos de trabalho ou comissões internas para debate de temas importantes, como a legitimação do Plano Estadual de Direitos Humanos.


A tarde da ultima sexta feira dia 29 de Julho ficara marcada para os movimentos populares do Estado do Rio, ontem de tarde as Organizações se reuniram no 7o andar do Edifício Pedro II, s/n, Central do Brasil, na Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, com inicio as 13h00 e termino as 16:30, as Instituições da sociedade civil estiveram presentes ontem, foram eleitas 18 entidades que iram assumir o 1ª conselho estadual de Direitos Humanos do estado do Rio de Janeiro, entre elas 13 são da sociedade civil, com 29 votos o Movimento popular de Favelas do Rio de Janeiro, presidida por William de Oliveira faz parte dessas 13 instituições. Junto a este conselho teremos uma nova função em nossa jornada. Diz William de Oliveira


O conselho estadual vai estar presente nas favelas do Rio, agora com o MPF juntos ao conselho, poderemos trazer novas informações das favelas para discutir. Como representante dos Familiares de vitimas de violência da Rocinha, vamos tentar fazer caminhar todos os processos por essa comissão.


“Este processo de eleição é de extrema importância porque precisamos ter um conselho atuante, sobre Direitos Humanos, no Rio de Janeiro. As instituições da sociedade civil desempenham uma função crucial que é levar, para o conselho, as demandas da sociedade civil”,

A Primeira Comissão Eleitoral coordenou a eleição dos membros do Conselho Estadual de Direitos Humanos.



Participou da mesa, representando a SEASDH, e o subprocurador Geral da República, Leonardo Chaves, do Ministério Público Estadual.



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Histórico do MPF.

Nos anos 90 foi criado o (MPF) Movimento Popular de Favelas, no dia 04 novembro de 2000, foi sua Fundação e começamos um trabalho de reorganização e conscientização das lideranças, da massa favelada. A partir do momento que organizamos o seminário do Movimento Popular de Favelas, que ocorreu em agosto de 2001, Pensávamos que as coisas aconteceriam apenas no Jacarezinho, em seu complexo. Mas perceberam que nós não íamos parar por aí. Começamos a receber convites, o movimento passou a ter visibilidade internacional. com a organização do nosso primeiro Seminário de discussões sobre Direitos Humanos e Violência nas Favelas, reunido no CIEP da Favela de Nova Brasília no Complexo do Alemão, que contou com a presença de mais de mil pessoas entre elas as Lideranças, na discussão maior, para tirar propostas e formular a carta de intenções do resultado do seminário e transformá-lo em documento: que polícia nós queremos para atender as Comunidades, ou seja, as práticas policiais nas Favelas, estão matando nossos jovens, estão matando nossos filhos, não estão poupando nem as crianças; não existe respeito com os moradores das Favelas,

Como um ativista morador da Rocinha maior favela da América latina e defensora de várias comunidades que sofrem todos os dias com seus direitos humanos desrespeitados. William de Oliveira assumiu a bandeira e a Presciência do Movimento Popular de Favelas. Defender os direitos humanos para mim, não e só nos momentos de violência policial ou criminal, pois quando o estado deixa uma família no alto de uma favela ou comunidade morando em um barraco de madeira, sem saneamento básico e condições mínimas de sobrevivência, isso também é desrespeito aos direitos humanos. Disse William, agora temos uma cadeira no Conselho Estadual de Direitos Humanos, vamos trazer suas reivindicações, defender nossas favelas e a população em geral.



Artigo II

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS


Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.


. DECRETO DE 30 DE SETEMBRO DE 2011


O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, no uso de

suas atribuições constitucionais e legais, e tendo em vista o que

consta do Processo nº E-23/1287/2011,

RESOLVE:

COMPOR, nos termos da Lei Complementar nº 138, de 30 de junho de

2010, e do Decreto nº 43.148, de 23 de agosto de 2011, o Conselho

Estadual de Defesa dos Direitos Humanos - CEDDH, da Secretaria de

Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, como segue:

I - REPRESENTANTES DO PODER PÚBLICO ESTADUAL

Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos -

SEASDH

Titular: ANTONIO CARLOS SILVA BISCAIA

Suplente: ANDRÉA SEPÚLVEDA BRITO CAROTTII

Secretaria de Estado da Casa Civil - CASA CIVIL

Titular: DANIELA BRANDO VILLELS PEDRAS

Suplente: VANIA DRUMMOND BONELLI

Secretaria de Estado de Segurança - SESEG

Titular: CLAUDIA OTÍLIA CAETANO DA SILVA

Suplente: MILA BRAGA DE LIMA

Secretaria de Estado de Administração Penitenciária - SEAP

Titular: TATIANA TAVARES DE MELO

Suplente: FERNANDA DOS REIS LOPES

Secretaria de Estado de Saúde - SES

Titular: RENATO GLÓRIA DE CASTRO

Suplente: MYRIAM COELHO CUNHA DA CRUZ

Secretaria de Estado de Educação - SEEDUC

Titular: REGINA MARIA CAVALCANTI

Suplente: ESTHER SANTOS FERREIRA MONTEIRO

Secretaria de Estado de Ambiente - SEA

Titular: DENISE ROSA LOBATO

Suplente: RONALDO CABRAL TAVARES

Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro - MPERJ

Titular: LEONARDO DE SOUZA CHAVES

Suplente: MÁRCIO KLANG

Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro - TJRJ

Titular: DENISE LEVY TREDLER

Suplente: MARCELO CASTRO ANÁTOCLES DA SILVA FERREIRA

Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro - DPGE-RJ

Titular: LEILA CAIXEIRO OMARI

Suplente: LEONARDO ROSA MELO DA CUNHA

II - REPRESENTANTE DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL

- OAB

Titular: CAMILA FREITAS RIBEIRO

Suplente: NARA ROCHA SARAIVA

III - REPRESENTANTE DA COMISSÃO DE DEFESA DOS DIREITOS

HUMANOS E CIDADANIA DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO

DO RIO DE JANEIRO - ALERJ

Titular: ROBERTO P. KRUKOSKI GEVAERD

Suplente: MARIELLE FRANCISCO DA SILVA

IV - REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL ORGANIZADA (Eleitos

na Assembléia de entidades de defesa e/ou promoção de direitos

humanos em geral, com sede e atuação no Estado do Rio de Janeiro,

realizada no dia 29 de julho de 2011, para o biênio 2011/2013).

Instituto de Cultura e Consciência Negra Nelson Mandela

Titular: JOSÉ CARLOS DO NASCIMENTO SILVA BRASILEIRO

Suplente: ERICA MARA SANTOS DE FREITAS

Fundação Centro de Defesa dos Direitos Humanos Bento Rubião

Titular: ELIANA AUGUSTA DE CARVALHO ATHAYDE

Suplente: CLAYSE MOREIRA E SILVA

Movimento de Mulheres em São Gonçalo - MMSG

Titular: MARISA CHAVES SOUZA

Suplente: MARIANA FRIZIEIRO DA SILVA CRUZ FREIRE

Instituto de Defensores de Direitos Humanos - IDDH

Titular: RAFAEL BARCELOS TRISTÃO

Suplente: THIAGO DE SOUZA MELO

Humanitas - Organização para Direitos Humanos e Cidadania

Titular: CARMELITA LOPES DOS SANTOS

Suplente: MÁRCIA HELENA HONORATO

Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência

Titular: MARCIA DE OLIVEIRA JACINTHO

Suplente: PATRÍCIA DE OLIVEIRA DA SILVA

Movimento Popular de Favelas - MPF

Titular: WILLIAM DE OLIVEIRA

Suplente: NILTON FERNANDO ALVES DE OLIVEIRA

Instituto de Estudos da Religião - ISER

Titular: PEDRO DANIEL STROZENBERG

Suplente: NOELLE COELHO RESENDE

Viva Rio

Titular: OSMAR VARGAS OLIVEIRA

Suplente: CLAUDIO HENRIQUE NAPOLEÃO SILVA

Espaço Democrático de União, Convivência, Aprendizagem e Prevenção

- EDUCAP

Titular: LÚCIA DE FATIMA OLIVEIRA CABRAL

Suplente: NILZA ROGÉRIA DE ANDRADE NUNES

Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas - IBASE

Titular: MOEMA MARIA MARQUES DE MIRANDA

Suplente: VIVIAN BRAGA DE OLIVEIRA

Movimento Mães da Cinelândia

Titular: REGINA CÉLIA DA ROCHA MAIA

Suplente: INDAIÁ MARIA MENDES MOREIRA

Observatório de Favelas

Titular: RAQUEL WILLADINO BRAGA

Suplente: CAIO GONÇALVES DIAS

Programa de Estudos da América Latina e Caribe - PROEALC

Titular: SILENE DE MORAES FREIRE

Suplente: MARIA CLARA DE ARRUDA BARBOSA

Laboratório de Análise da Violência - LAV

Titular: JOSÉ IGNACIO CANO GESTOSO

Suplente: THAIS LEMOS DUARTE

Conselho Regional de Psicologia

Titular: LIA TOYOKO YAMADA

Suplente: TIAGO REGIS DE LIMA

Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro

- SEPE

Titular: JANAÍNA DE ASSIS MATOS

Suplente: GUILHERME LUZIA DA ROCHA

Conselho Regional de Serviço Social - CRESS - 7ª REGIÃO

Titular: HILDA CORREA DE OLIVEIRA

Suplente: CARLOS FELIPE N. MOREIRA






quinta-feira, 22 de setembro de 2011

MARCIA HONORATO NÃO PODE MORRER...

DANIEL AARÃO REIS


Nas comemorações realizadas em Nova York, em 11 de setembro passado, foi emocionante o momento em que se leram os nomes e os sobrenomes dos mortos no atentado às torres gêmeas do World Trade Center. Gravados na pedra, entoados em voz alta, era como se os presentes quisessem dizer: vocês desapareceram, mas estão conosco, em nossa memória, e nela e na pedra permanecerão enquanto os humanos tiverem capacidade de evocar.

Quando tem nome e sobrenome, a morte de uma pessoa adquire uma

espécie de espessura. Na identificação, uma tenta- tiva de lutar contra o pó e as cinzas, o anonimato, o esquecimento.

A bonita cerimônia fez-me recordar um livro de Yves Courrière, publicado há algumas décadas, bem escrito e documentado, sobre a guerra que os argelinos travaram pela independência, contra a pretensão colonialista da so-fisticada e civilizada França. Referindo-se aos colonos franceses, mortos pela guerrilha argelina, o autor, sempre que possível, cuidava de identificá-los, com nome e sobrenome, proporcionando ao leitor uma sensação de mal-estar, como se conhecesse as pessoas que estavam morrendo. Uma experiência penosa, capaz de suscitar interesse e compaixão. No entanto, quando falava dos mortos argelinos — cerca de um milhão em 8 anos de guerra, muitos enterrados vivos, outros, queimados por bombas incendiárias —, talvez por desconhecimento, ou distra-

Ela tropeçou em mãos assassinas, mas tem um trunfo: nome e sobrenome

ção, ou simplesmente porque eram muito mais numerosos, os nomes eram quase sempre substituídos por números. Frios. Os números, frios. Em vez dos nomes, quentes. De sorte que a sensação que se tinha era que os argelinos passavam melhor e mais levemente para a eternidade do que os franceses. A chave da diferença era que uns tornavam-se anônimos, sem nome, nem sobrenome. Que os outros, os franceses, tinham.

De fato, os nomes e os sobrenomes podem salvar um morto do esquecimento. Mas podem igualmente salvar uma vida. A vida, por exemplo, de uma pessoa que tem nome e so-brenome: Márcia Hono-rato. Felizmente, está viva. E esperamos que viva continue. Mas ela está ameaçada de morrer. Não de morte natural, mas assassinada.

Quem é Márcia Hono-rato?

Ela faz parte da Rede contra a Violência do Estado do Rio de Janeiro e também da Rede Nacional de Familiares das Vítimas do Estado.

Desde 2005, há longos seis anos, quando policiais militares mataram 29 pessoas entre Nova Iguaçu e Queimados, resolveu entrar numa luta que não poucos consideram insana: levar à Justiça os responsáveis pelos desmandos. Cerca de dois anos depois, em abril de 2007, recebeu em casa a visita de dois homens. Um deles esfregou uma arma de fogo em seu rosto e perguntou: "Você é um anjo, está querendo morrer?" Ela teve então que se esconder: largou casa, filhos, família e atividade profis-

Marcelo

sional. Perambulou por aí até que, um pouco mais de um ano depois, a partir de junho de 2008, inscreveu-se no Programa Nacional de Proteção aos Direitos Humanos/PNPDH, uma espécie de clandestinidade oficial, se o paradoxo é permitido, pois, em tese, clandestinos são, ou deveriam ser, os que vivem à margem da Lei, acuados pelo Estado. Mas, no caso de Márcia, enquanto os agentes da Lei, que a ameaçaram de morte, permaneciam trafegando e traficando à luz do dia, em nome do Estado, ela caiu na clandestinidade, protegida por um programa oficial.

Mas a situação, em vez de melhorar, piorou. Não a encontrando mais, os caçadores ameaçaram sua família. Entraram na linha de mira os filhos, a

sogra e o ex-marido, chamados impu-dicamente de "vítimas colaterais'".

De sedentários, com domicílio conhecido, todos viraram nômades. Pulando de galho em galho, em moradias provisórias, precárias, arriscadas. Sem teto e sem segurança. Sob proteção, mas desprotegidos, à deriva.

Em julho deste ano, Márcia tentou falar pessoalmente com a ministra Maria do Rosário, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, durante as homenagens que se fizeram às vítimas da Chacina da Candelária. Não foi possível. Disseram-lhe que o seu caso estava "resolvido". Que não fosse inadequada. Se continuasse importunando, poderia acabar sozinha.

No último dia 12 de setembro, um dia depois das homenagens aos mortos de Nova York, ela foi novamente vítima de um duplo atentado: um automóvel — com as mesmas características — tentou atropelá-la duas vezes no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Seus ocupantes, ostensivamente, usavam capuzes. Entre uma e outra tentativa, apareceram outros PMs com atitudes intimidativas.

Márcia está com a vida em perigo. Faz lembrar os versos amargos da poeta Dinha, do Parque Bristol, da periferia de São Paulo: "De aqui, de dentro da guerra, qualquer tropeço é motivo". Márcia tropeçou em mãos assassinas. Mas continua firme, embora tenha a morte anunciada, prometida e jurada. Ainda segundo a Dinha: "A morte te chama, te atrai, te cobiça".

Ela tem um único trunfo: tem nome e sobrenome. Assim como as autoridades que têm responsabilidade por protegê-la: Dilma Rousseff, Maria do Rosário, Sérgio Cabral, Eduardo Paes. Que detenham as mãos assassinas dos encapuzados, anônimos e sem-lei. É demasiado exigir-lhes que retirem Márcia da clandestinidade, recriando condições para que ela possa exercer efetivamente os direitos — que são seus — de cidadã?

Veremos daqui a alguns dias a reedição do assassinato da juíza Patrícia Acioli? Márcia Honorato não deve morrer, não pode morrer e não vai morrer. Sob pena de esta cidade, apesar da Copa e das Olimpíadas, virar mesmo, como denuncia a poeta da periferia, um cemitério geral de pessoas. Mesmo que estejam vivas.

DANIEL AARÃO REIS é professor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense. E-mail: aaraoreis. dan iel@gmail. com.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

QUEM ANDA MATANDO

Quem anda matando. 
 
Nas últimas semanas assistimos horroriza aos desdobramentos macabros do caso do menino Juan de Moraes, de 11 anos, morador da favela Danon, em
Nova Iguaçu, assassinado por policiais militares.
No dia seguinte ao desaparecimento de Juan, seus
parentes e vizinhos foram para as ruas protestar
contra o que já se sabia: ele foi executado pela
polícia. E a história se repete. A polícia alega que
houve confronto com traficantes locais e registra
as execuções em autos de resistência, instrumento
jurídico que exclui a responsabilidade criminal dos
agentes de polícia pelas mortes que eles causam,
em nome de suas legítimas defesas ou do estrito
cumprimento de seus deveres legais. A quantidade
de autos de resistência registrados no Estado do
Rio de Janeiro é assombrosa. Segundo os dados
divulgados pelo Instituto de Segurança Pública, só
neste ano já foram registrados pela polícia 374
autos de resistência, ou seja, 53 mortes por mês. No
ano passado mataram 855 pessoas, numa média de 71
pessoas por mês. Evidentemente os casos relatados
acontecem dentro de favelas e áreas pobres, onde
a falta de visibilidade faz com que a polícia se
sinta à vontade para matar sem ser questionada. E
por isso a imprensa tem um papel fundamental, na
medida em que tem o poder de tornar público o que
as autoridades querem esconder. A súbita eficiência
demonstrada na investigação da morte do menino Juan
é um exemplo claro do poder de transformação que a
imprensa tem ao dar publicidade a casos de violência
policial.
Mas existem milhares de casos iguais aos do Juan
esquecidos nos arquivos das delegacias policiais,
como o assassinato de três meninos que saiam de um
baile funk na favela da Rocinha, em fevereiro de
2004. Segundo os relatos das testemunhas, policiais
com caras pintadas e sem identificações entraram
na festa e levaram quatro garotos para uma viela

onde começaram a matar um de cada vez.  
 
 
 
O primeiro foi Liniker Madeira, de 17 anos. O segundo, Leandro
da Silva, de 16 anos, levou um tiro no pescoço,
enfiaram-lhe um saco plástico na cabeça e em seguida
deram-lhe um tiro no olho direito. O terceiro a
morrer foi Jean de Campos, com 13 anos de idade.
O quarto sobreviveu e contou a história toda.
Todos estavam matriculados em escolas públicas, as
perícias realizadas nos cadáveres confirmaram os
relatos apresentados e constataram que os tiros
desferidos contra os meninos entraram pelas costas,
ou seja, não houve a resistência alegada pela
polícia. Sete anos depois e a investigação ainda não
foi concluída. No caso do menino Juan, amplamente
divulgado pela imprensa, o delegado responsável pela
investigação foi afastado do caso depois de algumas
semanas pela lentidão na investigação.
 
 
Em agosto de 2005 a polícia militar matou na
favela da Rocinha o menino Flaviano Vialonga, de
15 anos com um tiro por trás do pescoço, segundo o
laudo médico do hospital Miguel Couto. No Instituto
Médico Legal os peritos disseram “que não possuem
elementos tecnicamente hábeis para determinar o
instrumento ou meio que produziu a morte”. No caso
de Juan a perita que emitiu um laudo errado foi
sumariamente afastada da polícia.
 
 
 
O menino Lucas França, de 15 anos, estudante no
ciep Ayrton Sena foi morto com um tiro na cabeça por
policiais que procuravam traficantes na favela da
Rocinha em 2005 e a investigação foi arquivada por
falta de provas.
Lamentavelmente essa mesma polícia que mata
meninos hoje leva o nome de pacificadora das favelas
cariocas.

João Bernardo Kappen, advogado

terça-feira, 2 de agosto de 2011

ROCINHA SE PREPARA PARA DISCUTIR E DEBATER O LIXO LOCAL NO DIA 4 AGOSTO.

Em uma visita técnica no ano de 2009, Exatamente 10/7/09 com os órgãos competentes a Rocinha para avaliar a situação do lixo, os órgãos competentes assumiram compromissos de organizar os locais onde os moradores jogam o lixo na comunidade, mais ate hoje 02/08/2011 nada aconteceu.




  TUNEL DO TEMPO;

1 - Lixeira garagem da Rua Quatro – Na época os coordenadores do Pac ficou de levar o caso para a engenheira de projetos e incluir no projeto do PAC para a área. (duas possibilidades: desapropriação do posto policial ou construção de um recuo onde hoje ficava o lixo). Isso para a colocação da compactadora de lixo. Na época eles classificaram a resolução do problema como fácil, porém disse que precisa de pelo menos seis meses para resolver. Estamos em 2011 e nada aconteceu, alem de transtornos como o da foto no armazém do marquinhos.

Em 2009 participaram desta visita os responsáveis do Pac Rocinha, Guilherme (COMLUB Zona Sul), Jorge Collaro (Adm. Regional), Luiz Gonzaga (encarregado Rocinha) entre outros.


2 - Lixeira Canteiro Social (antiga Casa da Paz) – ficou acordado assim: desapropriação por parte do estado (o endereço é Estrada da Gávea, 486). E a partir daí criar um projeto inserido ao PAC em parceria com a comlurb para o local. Pelo espaço, foi colocado que é possível um trabalho com reciclagem para o local.(Não aconteceu)




3 - Lixeira Vila Verde – Levamos o Osmar (Light Rocinha), ao local para avaliação e ele me disse que para retirada do poste (que está atrapalhando a obra para colocação da compactadora de lixo), bastava pedir por escrito via região administrativa. (Não aconteceu)













4 - Lixeira Cidade Nova – Os Engenheiros do Pac disseram que de todos os locais, este é o mais fácil de se resolver. Vai desapropriar a o pet-shop, para a construção do local para abrigar a compactadora. (Cumprido 70%)



  
Em Julho de 2011 depois de várias solicitações ao poder público e nada acontecer, ouve um encontro na entrega dos sambas concorrentes na quadra de nossa escola na Rua Bertha Lutz, em São Conrado, dia 27 de julho. O comerciante e compositor da agremiação, Marquinhos do Armazém, procurou o amigo e compósito Ocimar Santos para que ele o ajudasse a fazer uma denúncia, ele estava visivelmente consternado. Falou de todo seu sofrimento com uma lixeira que transborda quase na porta de seu estabelecimento há mais de oito meses. Trata-se do Armazém São João da Rocinha, um dos mais antigos da comunidade. Marquinhos lhe enviou um vídeo e 4 fotos. Antes de postar no Portal ROCINHA.ORG, Ocimar divulgou o material em seu perfil no FACEBOOK, e o resultado e um grande debate que vai acontecer para discutir o lixo da Rocinha no dia 4 de Agosto as 10:00 na Quadra da Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha.



Vamos agora transformar a teoria em prática? Só depende de nós!!!

Esta foto ao lado é do dia 7 de março de 2008, dia da visita do ex-presidente Lula á comunidade. Além de limpo o lugar da lixeira da Vila Verde na Rocinha, ainda tinha gente vigiando. Precisamos dar um jeito nesse país!

Texto estabelece diretrizes para o gerenciamento dos resíduos sólidos no país

Está na Câmara dos Deputados projeto de lei que busca estabelecer uma Política Nacional de Gestão de Resíduos Sólidos. A proposta encaminhada pelo Poder Executivo, a primeira iniciativa nesse sentido na história do Brasil, tem apenas 33 artigos e institui diretrizes, instrumentos, responsabilidades e proibições para o gerenciamento de resíduos sólidos urbanos, rurais, de saúde e os chamados especiais, como entulhos.

O Projeto de Lei 1991/2007 traz medidas que definem, por exemplo, responsabilidades ao longo da cadeia produtiva e de consumo e outras que estimulam a redução, reutilização, reciclagem e destinação correta dos resíduos. Pelo documento, por exemplo, a coleta seletiva e o tratamento dos materiais recicláveis deverá ser feita prioritariamente contratando associações ou cooperativas de catadores formadas por pessoas de baixa renda.

O Projeto de Lei está disponível na íntegra para consulta pública no site do Congresso Nacional (www.camara.gov.br) e também no site do Ministério do Meio Ambiente (www.mma.gov.br).

Destino Correto

A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2000 revelou uma tendência de melhora da situação de destinação final do lixo coletado no país nos últimos anos. Segundo o estudo, 73% de todo lixo coletado no Brasil têm um destino final adequado, em aterros sanitários e/ou controlados. Em 1989, o percentual de municípios que vazavam seus resíduos de forma adequada era de apenas 10,7%. Pela pesquisa de 2000, o lixo produzido diariamente no Brasil chega a 228,4 mil toneladas, sendo 125,2 mil toneladas domiciliar.

Ainda segundo o estudo, dos 5.507 municípios do país, 5.475 contam com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo. Mas quando o assunto é coleta diferenciada os números não são confortáveis: somente em 451 municípios há o serviço de coleta seletiva, em 352 de reciclagem e em 3.567 coleta de lixo especial.

sábado, 30 de julho de 2011

ELEITA 1ª COMISSÃO DO CONSELHO ESTADUAL DE DIREITOS HUMANOS, COM 18 ENTIDADES ESCOLHIDAS, 13 DA SOCIEDADE CIVIL.

A tarde da ultima sexta feira dia 29 de Julho ficara marcada para os movimentos populares do Estado do Rio, ontem de tarde as Organizações se reuniram no 7o andar do Edifício Pedro II, s/n, Central do Brasil, na Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, com inicio as 13h00 e termino as 16:30, as Instituições da sociedade civil estiveram presentes ontem, foram eleitas 18 entidades que iram assumir o 1ª conselho estadual de Direitos Humanos do estado do Rio de Janeiro, entre elas 13 são da sociedade civil, com 29 votos o Movimento popular de Favelas do Rio de Janeiro, presidida por William de Oliveira faz parte dessas 13 instituições. Junto a este conselho teremos uma nova função em nossa jornada. Diz William de Oliveira



O conselho estadual vai estar presente nas favelas do Rio, agora com o MPF juntos ao conselho, poderemos trazer novas informações das favelas para discutir. Como representante dos Familiares de vitimas de violência da Rocinha, vamos tentar fazer caminhar todos os processos por essa comissão.



“Este processo de eleição é de extrema importância porque precisamos ter um conselho atuante, sobre Direitos Humanos, no Rio de Janeiro. As instituições da sociedade civil desempenham uma função crucial que é levar, para o conselho, as demandas da sociedade civil”,

A Primeira Comissão Eleitoral coordenou a eleição dos membros do Conselho Estadual de Direitos Humanos.

Participou da mesa, representando a SEASDH, e o subprocurador Geral da República, Leonardo Chaves, do Ministério Público Estadual.



Siga-Me no Twitter @williamrocinha e no facebook http://www.facebook.com/homephp#!/williamdarocinha



Histórico do MPF.

Na década dos anos 90 foi criado o (MPF) Movimento Popular de Favelas, no dia 04 novembro de 2000, foi sua Fundação e começamos um trabalho de reorganização e conscientização das lideranças, da massa favelada. A partir do momento que organizamos o seminário do Movimento Popular de Favelas, que ocorreu em agosto de 2001, Pensávamos que as coisas aconteceriam apenas no Jacarezinho, em seu complexo. Mas perceberam que nós não íamos parar por aí. Começamos a receber convites, o movimento passou a ter visibilidade internacional. com a organização do nosso primeiro Seminário de discussões sobre Direitos Humanos e Violência nas Favelas, reunido no CIEP da Favela de Nova Brasília no Complexo do Alemão, que contou com a presença de mais de mil pessoas entre elas as Lideranças, na discussão maior, para tirar propostas e formular a carta de intenções do resultado do seminário e transformá-lo em documento: que polícia nós queremos para atender as Comunidades, ou seja, as práticas policiais nas Favelas, estão matando nossos jovens, estão matando nossos filhos, não estão poupando nem as crianças; não existe respeito com os moradores das Favelas,


Como um ativista morador da Rocinha maior favela da América latina e defensora de várias comunidades que sofrem todos os dias com seus direitos humanos desrespeitados. William de Oliveira assumiu a bandeira e a Presciência do Movimento Popular de Favelas. Defender os direitos humanos para mim, não e só nos momentos de violência policial ou criminal, pois quando o estado deixa uma família no alto de uma favela ou comunidade morando em um barraco de madeira, sem saneamento básico e condições mínimas de sobrevivência, isso também é desrespeito aos direitos humanos. Disse William


Alo comunidades, agora temos uma cadeira no Conselho Estadual de Direitos Humanos, vamos trazer suas reivindicações, defender nossas favelas e a população em geral.

 





Artigo II
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

 

 



Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Designer de sobrancelhas da Rocinha Ellen Gomes, conquista celebridades





 Ellen Gomes, uma moradora da Rocinha de 24 anos, é designer de sobrancelhas - com especialidade na técnica da linha - e vem conquistando espaço entre celebridades. Anônimos e famosos como Preta Gil e Gilberto Gil já fazem parte da sua lista de clientes. Ela atende suas clientes em casa com hora marcada, e também pode ser encontrada duas vezes por semana no Petit Spa & Beleza na Gávea.


“Sou apaixonada pela depilação com linha, a pele se renova, fica firme, macia. É uma técnica praticamente indolor, quem experimenta adora. Eu ficaria o dia inteiro com a linha na mão!", afirma Ellen.

A depilação com linha ainda é novidade, o que desperta a atenção e curiosidade de todos. É conhecida como depilação egípcia, iraquiana, indiana ou marroquina. Trata-se de um trabalho artesanal, delicado e curioso, que necessita do conhecimento, habilidade manual, prática e uma linha comum, preferencialmente 100% algodão ou poliéster.

Elimina cerca de 95% dos pelos (até os mais fininhos), sem causar nenhum tipo de agressão. A fricção da linha na pele, além de eliminar os pelos, elimina ainda células mortas e gordura, clareando e melhorando o aspecto e a qualidade da pele, pois além de depilar, também faz drenagem no local. A técnica também pode ser aplicada em todas as áreas do corpo e a depilação tem maior durabilidade.

Quando feita a depilação com linha em intervalos de 20/30 dias, diminui-se progressivamente o crescimento dos pelos, não tendo nenhum risco do pelo encravar ou engrossar. É bastante utilizada para a depilação facial (sobrancelha, buço, testa bochechas, queixo, nariz, orelhas). Na maior parte das pessoas que fazem a depilação com linha, não é constatada a presença de irritações cutâneas ou vermelhidão excessiva na área depilada.

Com tantos benefícios assim, é só aproveitar!


















Contato:

Ellen Gomes

Design & Arte do Olhar

(21) 8836-2724/ 7857-5960

 
designcomlinha@gmail.com

Twitter: @DesignEllen

Mais informações:






segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ator Ashton Kutcher @aplusk acompanhado do Ator e Apresentador @huckluciano na Rocinha

No fim da tarde e inicio da noite de ontem na Rocinha, recebemos a visita do Ator Ashton Kutcher @aplusk acompanhado do Ator e Apresentador @huckluciano e Junior Coordenador Executivo do Afroreggae, também estavam presentes do Afroreggae Feijão, Jb e Rogério, todos foram acompanhado pelo Presidente do Fórum de Turismo da Rocinha e Presidente do Movimento Popular de Favelas William de Oliveira, mais conhecido como William da Rocinha minha esposa Ellen e minha filha Laura Victoria.


Foi muito legal, nos encontramos no restaurante varandas da Rocinha, onde eles beberam uma cervejinha e batemos um papo legal, após fomos a Laje do seu Carlinhos e no Laboriaux apresentar-los dois pontos turísticos da Rocinha entre vários que existe, após descemos a Rocinha andando a da Rua 1 ate os novo apartamentos na Rua 4, na descida passamos pelo atalho e Paula Brito, as Crianças da Rocinha adorou, por onde passávamos todos gritavam hu hu e o caldeirão as crianças adoraram e a comunidade mais ainda.
Foi Show de bola.
Por: William da Rocinha

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Presidenta Dilma Rousseff adere ao movimento Limpa Brasil Let’s do it!

Presidenta Dilma Rousseff adere ao movimento Limpa Brasil Let’s do it!
Artistas, governantes, empresas e organizações da sociedade civil tem provado diariamente seu interesse em apoiar essa causa

É com grande orgulho e apreciação que a Atitude Brasil anuncia a adesão da presidenta Dilma Rousseff à iniciativa Limpa Brasil Let’s do it!. No dia 25 de maio de 2011, em encontro com o Professor Muhammad Yunus, fundador do Grameen Bank e Prêmio Nobel da Paz, e Marta Rocha, diretora executiva da Atitude Brasil, a presidenta foi apresentada ao movimento e aderiu imediatamente. Assim como nos diversos outros países em que foram realizadas as mobilizações do Let’s do it!, o Brasil também conta agora com o engajamento de grandes líderes e representantes da sociedade, inclusive do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis.
O apoio da Presidenta da República ao movimento Limpa Brasil Let’s do it! é uma vitória de todos nós, brasileiros. Mostra que há interesse do governo em incentivar mudanças necessárias na estrutura e nos costumes de nossa sociedade.

Na Rocinha Dona Lixeira e seu Lixão vão participar do @limpa_brasil @Limpa_RJ @LimpaBrasil na Rocinha junto com varios lideres comunitarios.




Todos sabemos o quanto é necessária a transformação da atitude do cidadão brasileiro em relação ao lixo. O descaso com essa questão não pode mais ser tolerado e a proposta do Limpa Brasil Let’s do it! é dar o primeiro passo para reverter essa situação. Faça parte da mudança! Divulgue e participe da ação inaugural, no Rio de Janeiro, no dia 5 de junho!
FALTAM 5 DIAS PARA O LIMPA BRASIL LET’S DO IT!INSCREVA-SE EM

sábado, 28 de maio de 2011

BORORO E REELEITO PARA PRESIDIR A ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DA GROTA



Terminou a pouco a eleição da Associação de moradores da Grota no complexo do alemão, do total de 2474 votos os moradores do complexo do alemão reelegeu Wagner Nicasio conhecido como Bororo com 1243 votos, ele foi reeleito para Presidir Associação de Moradores da Grota no Complexo do Alemão, Wagner Bororo assumiu compromisso de continuar lutando pela comunidade.


A chapa preta ficou em segundo colocado com 550 votos foi a segunda mais votada.

O Presidente da FAF-RIO disse que a eleição foi tranqüila e parabenizou todos os participantes em especial o candidato eleito.


terça-feira, 10 de maio de 2011

Empresa Bacana: Lições do Andaraí por: Jose Ze Luiz Lima

Eu só conhecia o Andaraí pela letra da música do Zeca Pagodinho: “no tempo que Dom Dom jogava no Andaraí nossa vida era mais simples de viver”; mais nada.  No entanto tive o privilégio de conhecer um conjunto de 06 comunidades com características bem distintas entre elas. Segundo alguns moradores ali é berço de músicos e artistas. Além de estar numa área próxima à floresta da Tijuca, o que lhe proporciona um clima bastante agradável.

A proposta de realizar o evento neste conjunto de comunidades faz parte de um projeto da Prefeitura do Rio em parceria com o SEBRAE/RJ, para levar a todas as comunidades pacificadas a possibilidade e oportunidade de formalização para os empreendedores locais. Neste evento realizado na comunidade contamos com a parceria das associações de moradores que atuam na mobilização e sensibilização dos empreendedores locais e auxilia os técnicos da Prefeitura e do SEBRAE/RJ no contato com os potenciais empreendedores Individuais, que em muitos casos têm a sua residência como o ponto de referência do negócio. Outro parceiro importante é a UPP local, que deu todo o apoio desde o primeiro momento, quando nos reunimos com as lideranças locais e os empresários, para falar sobre o objetivo do evento. O Capitão Souza e o Tenente Joacir compreenderam a importância do evento, como uma ação de melhoria para as comunidades do Andaraí. Esta postura dos oficiais da UPP é um bom sinal desta política de segurança para as favelas do Rio. Percebo que há um envolvimento com o dia a dia das comunidades nos vários aspectos que regulam e organizam as relações sociais e a vida comunitária.

 O evento no Andaraí teve um êxito acima do esperado, até pelas lideranças locais que duvidavam que as pessoas fossem de uma comunidade para outra. Considerando a geografia do local, onde a comunicação de vias entre as comunidades não é de fácil acesso, e entre algumas delas nem existe contato direto. Sobre este ponto de vista, foi importante o trabalho dos presidentes das associações de moradores que convenceram os moradores de suas comunidades que o evento Empresa Bacana seria uma oportunidade única para os empreendedores que desejassem se formalizar como Empreendedor Individual.

Na semana que antecedeu o evento fizemos uma palestra para um público de apro
ximadamente 50 pessoas. Explicamos o objetivo do evento e a importância da participação dos empreendedores locais para que pudessem tirar suas dúvidas sobre o processo de formalização.  Neste sentido, durante quatro dias uma equipe de consultores do SEBRAE/RJ visitou 320 empreendimentos na comunidade do Andaraí, com o apoio das associações de moradores e de alguns jovens que conhecem as suas comunidades de ponta a cabeça.

Conhecemos muitas pessoas interessantes neste universo social e econômico do Andaraí. Brasileiros e brasileiras de vida simples que ganham a vida fazendo doces, salgados, manicures, cabeleireiras, mecânicos, vendedoras de Avon e Natura, donos de bares e padarias, uma birosca no alto da comunidade que serve um almoço com arroz, feijão e bife; só tem lá no Andaraí. Um pessoal hospitaleiro, que te oferece café na porta de casa, enquanto fazíamos o cadastro. Conhecemos uma pequena indústria de pipas, um senhor que vende produtos de limpeza e mais algumas coisas.

Durante os quatro dias de andanças pelas comunidades, percebemos que muitos empreendimentos só funcionam no horário da noite, quando o empreendedor chega do seu trabalho e abre o barzinho, a loja ou a portinha de casa para vender seus produtos e serviços. Alguns funcionam somente na parte da manhã, pois na parte da tarde para noite a pessoa tem outro a fazer.

Assim é a vida social e econômica das comunidades do Andaraí.
No dia do evento ficamos surpresos com a participação dos empreendedores locais, às 9hs já tinha gente na porta querendo saber informações. Durante o dia fomos tomando conhecimento de aspectos estruturais e conjunturais das comunidades que pela letra da lei, as soluções seriam inviáveis. Prevaleceu o bom senso das pessoas que estavam ali representando cada órgão parceiro deste projeto.  Um exemplo: a comprovação de residência se deu, por meio de uma declaração da associação de moradores, que conhece a geografia e realidade de cada comunidade e das pessoas que moram ali.

Alguns comerciantes e presidentes de associações de moradores solicitaram ao SEBRAE orientação sobre realização de eventos. Os bailes funks, forró, pagode, e similares estão suspensos a princípio. Mas segundo os moradores, os eventos são uma fonte importante de renda para o comércio da comunidade. As festas fazem parte da vida da comunidade. Um morador fez a seguinte observação: “nem todo mundo tem dinheiro para ir ao cinema, ou passear no shopping. As pessoas gostam de ficar na sua comunidade e curtir uma festa, tomar um cerveja por aqui mesmo. Aqui é nosso lugar. Se tiver um evento o comércio fatura mais”. 

O evento empresa Bacana no Andaraí deixou alguns ensinamentos: o que pode e não pode ser formal? O que deve e o que não deve ser formalizado? Qual é o potencial econômico dos empreendimentos do Andaraí? Tem várias atividades de subsistência. Vale a pena formalizar? Deve-se dar um tempo para a comunidade se adaptar a este processo de mudança?

Estamos lidando com uma parte da sociedade que durante muito tempo foi constrangida no exercício de sua cidadania civil: seu direito de ir e vir estava cerceado na base. Este fato deprimiu e atrofiou a movimentação das pessoas no conjunto da sociedade e criou um submundo do poder ilegal e informal. As associações de moradores, que historicamente representam os interesses dos moradores, foram de alguma forma ou de outra capturadas por este poder, assim como o movimento funk e seus atores. Este fato mudou as relações sociais internas nas comunidades e, serviu de argumento para que as lideranças políticas e formadores de opinião criassem uma representação negativa sobre os agentes políticos locais, e uma das faces da cultura popular.

Este momento de mudança é para todos nós e não apenas para um segmento da sociedade. Devemos aproveitar esta oportunidade histórica e mudar nossa lente que usamos para olhar para as favelas do Rio. Acredito que o reconhecimento e respeito ao outro é o melhor caminho para promover o encontro de culturas e diversidades. Este momneto de mudança é novo, sendo assim, requer novas atitudes, novos gestos, novas palvaras, novos sentimentos; requer a construção de um novo arranjo social e político, que possibilite ao conjunto da sociedade participar e se sentir representado.



A cidade partida definida por Zuenir Ventura pode começar a ser unida a partir das nossa práticas.